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'Tudo começou porque ele bateu forte no portão', diz delegado sobre morte de policial em Cascavel
Investigação aponta que discussão entre amigos terminou com tiros
Por Catve | Postado em: 29/06/2026 - 15:10

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A Polícia Civil concluiu os primeiros levantamentos sobre a morte do policial civil João Ezequiel Batista Pereira, lotado em Santa Tereza do Oeste, assassinado na noite de domingo (28), em Cascavel. De acordo com o delegado da Delegacia de Homicídios, Fabiano Mozza, a investigação aponta que o crime teve início após uma discussão motivada pela forma como a vítima chegou à residência onde buscaria a esposa.

Segundo o delegado, a equipe foi acionada por volta das 21h para atender a ocorrência na Rua Antônio Marazzi, no bairro Brasmadeira. Vizinhos relataram ter ouvido uma discussão seguida de disparos de arma de fogo. Quando chegaram ao endereço, policiais militares ainda ouviram outros três tiros.

No local, os militares abordaram o proprietário da residência, um homem de 45 anos, que confessou ter efetuado os disparos. Dentro do imóvel, os policiais encontraram João Ezequiel caído no quintal, já atingido pelos tiros.

Conforme explicou o delegado Fabiano Mozza, a discussão começou porque o interfone da residência estava quebrado e havia um aviso orientando os visitantes a baterem no portão.

"O proprietário do imóvel falou que ele deu um chute no portão, então ele não gostou do modo como essa vítima chegou ao imóvel, onde teria ido buscar a esposa. A discussão começou por esse motivo", afirmou o delegado.

As investigações apontam que tanto o policial quanto o dono da residência estavam armados. Entretanto, segundo a perícia e os elementos colhidos até o momento, apenas o proprietário efetuou disparos.

"A vítima, em tese, não efetuou nenhum disparo. No local foram encontradas quatro cápsulas, todas da arma do proprietário do imóvel", explicou Mozza.

Ainda conforme o delegado, o autor alegou ter feito um disparo para o alto e, em seguida, outros três em direção ao policial. A perícia constatou que João Ezequiel foi atingido por três tiros, sendo dois na região da cabeça e um nas costas.

Para a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento não sustentam a versão de legítima defesa apresentada pelo investigado. "Pela quantidade de disparos efetuados contra a vítima, a versão não condiz com legítima defesa, já que havia duas perfurações no crânio e uma na região dorsal", destacou.

O delegado revelou ainda que autor e vítima eram amigos e se conheciam havia anos. A esposa do policial estava na residência desde o meio-dia, e todos consumiam bebida alcoólica antes da chegada de João Ezequiel.

"Aconteceu essa tragédia por causa de um motivo simples: a forma como a vítima chegou ao imóvel. O proprietário não gostou da maneira como ele chegou", afirmou.

Durante o depoimento, o investigado disse que inicialmente não sabia quem estava do lado de fora da residência. No entanto, testemunhas relataram que ele reconheceu João Ezequiel após abrir o portão, informação que agora será confrontada com as imagens das câmeras de segurança.

O sistema de monitoramento da residência foi apreendido pela Polícia Civil e será analisado pela equipe de investigação. Segundo Mozza, as gravações possuem áudio e devem ajudar a esclarecer toda a dinâmica dos fatos.

"Agora a equipe de investigação está analisando as imagens. As câmeras têm áudio e será possível constatar toda a dinâmica do fato", disse.

A arma utilizada no crime, uma pistola calibre 7.65, foi apreendida e encaminhada para perícia. Apesar de o calibre ser permitido, o armamento estava em situação irregular, conforme informou a Polícia Civil.

O proprietário da residência, que é advogado, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil e permanece preso na Cadeia Pública de Cascavel, à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou o procedimento policial. A Polícia Civil também emitiu uma nota de pesar pela morte do policial.

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