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Sem transporte escolar, pai carrega filha nas costas para ir estudar no litoral do Paraná
Por G1 Paraná | Postado em: 08/08/2019 - 08:43

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Com o dia ainda amanhecendo, Antônio da Costa precisa carregar a filha Izadora, de 10 anos, nas costas para levá-la até a escola, em Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. Além do problema no joelho que a impede de caminhar distâncias longas, o transporte escolar é quase inexistente na região.

A família mora em uma comunidade isolada, e a estrada em que eles usam é de chão e cheia de pedras. Antônio caminha cerca de 1 km - que é parte do trajeto - todos os dias para não deixá-la em casa, sem estudos.

Quando a aula termina, perto do meio-dia, ele anda tudo novamente para buscá-la e retornarem para casa.

"Para mim é gratificante porque eu não consigo parar de pensar, dia e noite, no futuro dela", relatou.

Izadora, mesmo nova, já entende que o que o pai faz por ela é importante para seu futuro. "Eu amo muito o meu pai", disse a menina em forma de agradecimento pelo esforço diário.

Rotina difícil que não é só sentida por essa família, mas também por muitos dos alunos que estudam na Escola Municipal Rio do Cedro, há 50 km do Centro de Guaraqueçaba. Dos 43 alunos, quase a metade está faltando as aulas porque não têm como se deslocar para estudar.

"Quando tem é um ou dois dias só porque o Ministério Público manda. Eles colocam para dizer que mandaram, mas já retiram", relatou a mãe Elaine Laufer.

Outra menina, de sete anos, vai de carona com o tio para a escola. São 4 km andando de bicicleta.

A Thays Gonçalves, de 18 anos, é um exemplo do que pode acontecer com passar do tempo: desistiu de estudar.

"Eu tinha aula uma a duas vezes na semana e como no resto dos dias não tinha, eu perdia a viagem. Parei de estudar por causa das dificuldades", contou a jovem.

Solução enguiçada

A solução para esses alunos está parada em uma oficina de Guaraqueçaba. Dos oito ônibus que fazem o transporte escolar nas comunidades mais afastadas, cinco estão parados. A maioria com problemas na suspensão, por causa da péssima condição das estradas.

Uma vistoria feita em 17 de junho recomendava a troca das peças quebradas, mas a ordem de serviço só saiu em 26 de julho – uma sexta-feira, dois dias antes do início das aulas.

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