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Queda do voo da Voepass: relatório expõe graves falhas e conclui que tragédia poderia ter sido evitada
Investigação conclui que tragédia que matou 62 pessoas não foi causada por um único erro, mas por uma combinação de falhas.
Por Portal Nova Santa Rosa/Catve | Postado em: 24/07/2026 - 15:10

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Quase dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou o relatório final da investigação e concluiu que o acidente foi provocado por uma sucessão de falhas que comprometeram progressivamente a segurança da operação.

Segundo o documento, a aeronave ATR 72-500 decolou de Cascavel com falhas no sistema de degelo e enfrentou condições severas de formação de gelo durante o voo. O acúmulo de gelo nas asas reduziu a velocidade da aeronave, provocou perda de sustentação e culminou na queda.

Ao longo de 266 páginas, o CENIPA identificou 19 fatores contribuintes para o acidente, envolvendo aspectos técnicos, operacionais, organizacionais e regulatórios. A investigação apontou que havia uma cultura de não registrar panes para manter as aeronaves em operação, além de falhas na manutenção, supervisão técnica e gestão da segurança operacional.

A análise de 1.206 voos realizados pela mesma aeronave revelou um histórico de procedimentos inadequados, aproximações não estabilizadas, testes obrigatórios frequentemente ignorados e repetidos desvios operacionais que acabaram sendo incorporados à rotina da empresa.

O relatório também confirmou que a falha no sistema de degelo já havia sido identificada em voos anteriores ao acidente, mas não foi registrada no diário de bordo, impedindo que a manutenção adotasse as medidas necessárias. Antes da decolagem em Cascavel, a aeronave ainda apresentava dez itens registrados com falhas.

Durante a apresentação, os investigadores destacaram que a tripulação deixou de executar procedimentos previstos para recuperação da velocidade da aeronave e ignorou alertas críticos emitidos durante o voo. O CENIPA também apontou a chamada "normalização do desvio", quando pequenas irregularidades passam a ser aceitas como rotina dentro da operação.

A investigação ainda fez recomendações à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), indicando que a fiscalização sobre a companhia poderia ter sido mais rigorosa diante das irregularidades já identificadas em auditorias anteriores.

Apesar das conclusões, o CENIPA reforçou que o relatório tem caráter exclusivamente preventivo e não aponta responsabilidades civis ou criminais. Paralelamente, a Polícia Federal continua investigando o caso para apurar eventuais responsabilidades.

Famílias cobram responsabilização

A divulgação do relatório reacendeu a dor das famílias das 62 vítimas. Para Adriana Ibba, mãe de Liz Ibba dos Santos, uma das passageiras mortas na tragédia, as conclusões confirmam que havia problemas conhecidos dentro da empresa e falhas na fiscalização.

Segundo ela, a investigação demonstra que panes deixavam de ser registradas, impedindo que fossem corrigidas, e que as auditorias realizadas antes do acidente já apontavam irregularidades na operação da Voepass.

O voo 2283 caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 durante o trajeto entre Cascavel e Guarulhos. Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. O relatório final conclui que a tragédia não foi resultado de uma única falha, mas da combinação de diversos erros que, juntos, levaram ao maior acidente da aviação brasileira nos últimos anos.

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