Um pedido de ajuda feito por uma adolescente de 16 anos dentro da escola levou à descoberta de um caso de restrição de liberdade que, segundo a Polícia Civil do Paraná, se estendia havia aproximadamente dois anos em Laranjeiras do Sul, na região central do estado.
Um homem de 41 anos foi preso em flagrante na quarta-feira (30), suspeito de manter a companheira, de 39 anos, em cárcere privado. A prisão teve apoio da Polícia Penal. A identidade dele não foi divulgada para preservar a mulher e as três filhas.
A adolescente procurou ajuda na instituição de ensino onde estuda. A partir das informações recebidas, as autoridades foram até a residência da família para verificar o que estava acontecendo.
Segundo a delegada Raiza Bedim, a mulher foi ouvida separadamente e confirmou que se sentia privada de sua liberdade. Ela relatou que, nos últimos dois anos, o companheiro vinha restringindo suas saídas de casa e que temia pela própria segurança e pela das filhas.
A família tem três filhas — duas crianças e uma adolescente. De acordo com a investigação, mãe e filhas também não podiam manter celulares próprios, dificultando o contato com outras pessoas e uma eventual busca por auxílio.
Quando precisava conversar com familiares, conforme o relato apresentado à polícia, a mulher utilizava o telefone do companheiro, que acompanhava as mensagens enviadas.
Uma informação adicional divulgada pela Polícia Civil é que uma das filhas também relatou sofrer agressões e ameaças constantes por parte do pai.
Durante o atendimento, a mulher afirmou que queria retomar sua liberdade de locomoção e solicitar medidas protetivas de urgência para ela e as filhas.
O homem foi preso em flagrante e autuado por sequestro e cárcere privado, ameaça contra a mulher e injúria, segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil.
O caso também chama atenção pela forma como chegou às autoridades. Foi fora de casa, no ambiente escolar, que a adolescente conseguiu pedir ajuda e desencadear o atendimento que chegou até a mãe e as irmãs.
A Polícia Civil orienta que denúncias possam ser realizadas pelos números 197 e 181, inclusive de forma anônima. Quando uma situação de perigo estiver acontecendo naquele momento, a orientação é acionar o 190.