O Ministério Público do Paraná (MPPR) divulgou nesta semana novos desdobramentos do caso envolvendo o padre Genivaldo Oliveira dos Santos, acusado de uma série de crimes contra 16 vítimas. A expectativa é de que o julgamento ocorra nos próximos meses, após decisão que definiu Cascavel como o local responsável por analisar todos os fatos.
A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou que os 25 crimes atribuídos ao religioso sejam julgados de forma unificada na comarca de Cascavel. A decisão atende a um recurso do MPPR, que argumentou haver conexão probatória entre os casos, ou seja, relação entre os fatos que justificaria a tramitação conjunta.
Inicialmente, três das acusações não haviam sido aceitas em primeira instância sob o entendimento de que teriam ocorrido fora da comarca. No entanto, o Tribunal considerou que os episódios possuem ligação entre si — inclusive pelo suposto mesmo modo de atuação — e decidiu que todos devem permanecer em Cascavel.
Segundo a denúncia apresentada pela 15ª Promotoria de Justiça, o padre é acusado de 25 crimes contra vítimas com idades entre 12 e 48 anos à época dos fatos. Entre as acusações estão estupro de vulnerável, importunação sexual, violação sexual mediante fraude, tráfico de drogas e entrega de substância nociva à saúde.
As investigações foram conduzidas pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), no âmbito da Operação Lobo em Pele de Cordeiro.
O religioso está preso preventivamente desde o dia 29 de outubro de 2025 e permanece detido no Complexo Médico Penal. De acordo com o Ministério Público, também foi solicitado o pagamento de indenizações por danos morais e materiais às vítimas, com valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil.

A promotora de Justiça Andrea Frias destacou que a unificação dos processos fortalece a análise das provas. Segundo ela, alguns dos crimes teriam ocorrido em cidades como Rio de Janeiro, Guaraniaçu e Umuarama, mas mantêm relação direta com os demais casos investigados.
“Quando os fatos são analisados em conjunto, há mais robustez na prova. Separar os casos poderia prejudicar a compreensão da repetição das condutas”, afirmou.
Ela também explicou que, por se tratar de réu preso, o processo tem prioridade. A previsão é de que a audiência de instrução e julgamento seja marcada em um prazo de 40 a 60 dias, após as manifestações da defesa e do Ministério Público.
O processo tramita em segredo de Justiça.
DEFESA VAI RECORRER
A defesa do padre informou que irá recorrer da decisão aos tribunais superiores, em Brasília. O advogado Algacir Junior classificou o entendimento do TJPR como “surpreendente”, mas ressaltou que a decisão trata apenas de uma questão processual, sem relação com a análise de culpa.
Segundo ele, a discussão gira em torno da competência para julgar três fatos específicos, que, de acordo com a defesa, não teriam ocorrido em Cascavel — sendo que um deles teria acontecido em outro estado.
“O recurso interposto pelo Ministério Público visava esclarecer estritamente uma questão processual. Não é nada relacionado à formação de culpa”, afirmou.
Ainda conforme o advogado, há decisões de tribunais superiores em sentido contrário ao entendimento adotado pelo TJPR, o que fundamenta o novo recurso.
“Acreditamos que em Brasília essa decisão será reformada. Após isso, o processo seguirá seu curso normal e todos os fatos serão devidamente esclarecidos”, declarou.
Apesar da nova tentativa de recurso, o processo segue em andamento na Justiça paranaense e não terá efeito suspensivo.
O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades, enquanto aguarda a definição da data do julgamento.