O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem pela morte de Ravi Augusto Fernandes Teodoro, de 4 anos, ocorrida em junho de 2026, em um hospital de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro do Paraná. Os quatro profissionais foram denunciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Segundo a Promotoria de Justiça, houve falhas no atendimento e no acompanhamento do menino durante o período em que permaneceu internado em observação. Ravi deu entrada no hospital na noite de 9 de junho, com sintomas gripais, mas apresentou piora no quadro clínico e morreu na manhã do dia 10. Exames confirmaram que a criança estava com influenza.
De acordo com a denúncia, os profissionais deixaram de adotar medidas necessárias diante da evolução do estado de saúde do menino e não realizaram o monitoramento contínuo exigido pela situação clínica. O Ministério Público também apontou o descumprimento de regras técnicas das respectivas profissões, circunstância que pode aumentar a pena.
Além da responsabilização criminal, a Promotoria pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo de indenização aos familiares da criança.
Investigação identificou falhas no atendimento
A denúncia foi apresentada após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, que também indiciou os quatro profissionais por homicídio culposo.
A investigação teve início depois que o Conselho Tutelar encaminhou o caso à polícia, após ser procurado pela família, que questionava o atendimento prestado ao menino.
Durante a apuração, foram analisados prontuários, registros hospitalares, documentos, exames e depoimentos de pessoas envolvidas no atendimento. O caso também passou por perícia médico-legal.
Segundo a Polícia Civil, medidas de avaliação, monitoramento e comunicação não foram adotadas no momento adequado. A investigação também identificou falhas na transmissão de informações entre os profissionais sobre a evolução do quadro clínico da criança.
O laudo da Polícia Científica do Paraná apontou que a condição de Ravi exigia acompanhamento e intervenções compatíveis com a gravidade do quadro.
MPPR também apura problemas estruturais no hospital
Além da denúncia criminal, a Promotoria de Justiça conduz um procedimento para investigar possíveis problemas estruturais e organizacionais no atendimento hospitalar de Joaquim Távora.
Entre as situações apuradas estão a presença de apenas um médico clínico-geral durante o plantão, sem retaguarda pediátrica, e a ausência de protocolos internos específicos para o atendimento de urgências envolvendo crianças.
O Ministério Público também identificou possíveis falhas na reavaliação periódica de pacientes em observação, irregularidades na triagem sem classificação de risco realizada por enfermeiro e problemas nos registros médicos e de enfermagem.
A apuração inclui ainda questões relacionadas à comunicação e à transferência de pacientes pediátricos em estado grave, além da possibilidade de alteração de informações no sistema de prontuário eletrônico.
O procedimento busca esclarecer as irregularidades apontadas e cobrar providências para melhorar a segurança e a qualidade do atendimento hospitalar.
Morte de Ravi causou comoção
Ravi era aluno do Centro Municipal de Educação Infantil Maria Aparecida Beruski. A morte do menino causou comoção em Joaquim Távora, mobilizando familiares, amigos, professores e moradores, que prestaram homenagens e divulgaram mensagens de solidariedade.
O processo criminal tramita em segredo de Justiça. A denúncia será analisada pelo Judiciário, e a eventual responsabilização dos profissionais dependerá do andamento do processo.