Morreu nesta terça-feira (8), em Curitiba, aos 78 anos, o pastor e ex-deputado estadual Gernote Gilberto Kirinus, uma das lideranças que marcaram a história política, social e religiosa do Oeste do Paraná. Sua trajetória esteve diretamente ligada à defesa dos agricultores atingidos pela construção da Usina de Itaipu e a importantes momentos de transformação política da região.
Kirinus chegou ao Oeste do Paraná em 1975 para atuar como pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), inicialmente no então distrito de Entre Rios, pertencente a Marechal Cândido Rondon. Na segunda metade da década de 1970, passou a atuar na defesa das famílias atingidas pelas desapropriações provocadas pela construção de Itaipu.
Ligado à Comissão Pastoral da Terra, participou das mobilizações em defesa de indenizações consideradas justas e do reassentamento dos agricultores afetados pela formação do reservatório da usina. A atuação junto às comunidades rurais fez com que seu nome ganhasse projeção no Oeste e, posteriormente, o levasse à vida pública.
Filiado ao MDB, Gernote Kirinus foi eleito deputado estadual e permaneceu na Assembleia Legislativa do Paraná por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990. Em 1983, ocupou a 1ª Secretaria da Assembleia.
Durante a Assembleia Estadual Constituinte de 1989, teve participação de destaque nas discussões sobre a organização do Estado e dos municípios, atuando como relator da Comissão da Organização do Estado e dos Municípios.
A atuação política de Kirinus alcançou diferentes municípios do Oeste paranaense em um período de intensa mobilização comunitária e de criação de novas cidades.
Em Quatro Pontes, então distrito de Marechal Cândido Rondon, a comunidade se mobilizava pela emancipação política. Documentos da Assembleia Legislativa do Paraná registram, em 1989, uma proposta popular apresentada pela própria comunidade defendendo a transformação do distrito em município.
A emancipação foi concretizada em 1990. O plebiscito ocorreu em 24 de março daquele ano e, em 13 de setembro, Quatro Pontes foi oficialmente criado pela Lei Estadual nº 9.368. A instalação administrativa ocorreu em 1º de janeiro de 1993.
Registros acadêmicos preservados pela Unioeste também mostram que a atuação de Kirinus era conhecida pelas comunidades locais. Correspondências de moradores de Quatro Pontes endereçadas ao então deputado, ainda no início dos anos 1980, buscavam auxílio para questões que afetavam suas famílias.
Ao longo de sua vida pública, Gernote Kirinus construiu uma trajetória marcada pela defesa dos agricultores, pela atuação religiosa e pela participação em debates que ajudaram a definir os rumos políticos do Paraná e, especialmente, do Oeste do Estado.
Sua história se confunde com um período de profundas mudanças na região, que envolveu os impactos da construção de Itaipu, a organização das comunidades, a redemocratização do país e o surgimento de novos municípios.
O velório ocorre em Curitiba, na Capela Vaticano, Sala Esmeralda. A cerimônia de cremação está marcada para esta quarta-feira (9), às 16h30, no Crematório Vaticano, em Almirante Tamandaré.
Aos 78 anos, Gernote Kirinus deixa uma trajetória de participação ativa na vida política e social do Paraná e uma presença especialmente marcante na história do Oeste, região onde iniciou sua atuação religiosa, aproximou-se das comunidades rurais e construiu sua trajetória pública.