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Ministério Público recomenda que Nova Santa Rosa suspenda transporte de pacientes para consultas particulares
Documento aponta uso irregular de veículos da saúde para deslocamento de pacientes atendidos fora da rede pública e estabelece prazo para providências da Prefeitura.
Por | Postado em: 16/06/2026 - 09:23

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O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Marechal Cândido Rondon, expediu uma recomendação administrativa ao Município de Nova Santa Rosa determinando a adoção de medidas para impedir a utilização de veículos da frota da saúde no transporte de pacientes para consultas, exames e procedimentos realizados na rede particular.

A recomendação é resultado de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público, que apurou a utilização de transporte público de pacientes custeado com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para deslocamentos destinados a atendimentos particulares nos municípios de Toledo e Cascavel. Segundo o documento, a prática vinha sendo justificada pela existência de vagas disponíveis nos veículos e pela coincidência de rotas, mas não possui regulamentação específica na legislação municipal.

De acordo com a promotora de Justiça Mariana Silveira Silviano do Prado Muniz, responsável pela recomendação, os veículos da saúde são bens públicos destinados exclusivamente à execução de serviços públicos e devem atender às finalidades para as quais foram adquiridos e mantidos. O documento destaca que o transporte de pacientes para atendimentos particulares não está contemplado pela política pública do SUS e pode configurar desvio de finalidade no uso de recursos públicos.

O Ministério Público também aponta que a utilização da estrutura pública para beneficiar atendimentos privados pode gerar tratamento privilegiado a determinados cidadãos, contrariando princípios da administração pública como legalidade, impessoalidade e moralidade. Além disso, o documento ressalta que o uso irregular de veículos e serviços públicos para interesses particulares pode caracterizar ato de improbidade administrativa.

Entre as medidas recomendadas ao prefeito Lari Hitz, está a determinação para que o município deixe de destinar veículos, motoristas e demais recursos vinculados ao SUS para o transporte intermunicipal de pacientes que realizem consultas, exames ou procedimentos em clínicas, hospitais ou profissionais da rede privada. Também foi solicitada a adoção imediata de mecanismos de fiscalização para garantir a utilização adequada da frota municipal da saúde.

A recomendação ainda estabelece que a Prefeitura dê ampla publicidade ao documento em todas as repartições do Poder Executivo e publique seu conteúdo integral no portal oficial do município. O Executivo deverá encaminhar resposta formal ao Ministério Público no prazo máximo de 20 dias, informando as providências adotadas para o cumprimento da determinação.

O documento alerta que o eventual descumprimento da recomendação poderá motivar a adoção de medidas administrativas e judiciais por parte do Ministério Público, além da apuração de possíveis responsabilidades dos agentes públicos envolvidos. A promotoria ressalta ainda que a ciência da recomendação e a ausência de providências poderão ser interpretadas como conhecimento prévio da irregularidade apontada.

A recomendação administrativa foi assinada em 29 de maio de 2026 pela promotora de Justiça Mariana Silveira Silviano do Prado Muniz, no âmbito do Inquérito Civil nº 0085.25.000706-0.

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