Um médico ginecologista de 81 anos foi preso preventivamente nesta quarta-feira (6) após novas denúncias de abuso sexual durante atendimentos médicos no Paraná. O caso mais recente envolve uma mulher que relatou ter sido vítima enquanto estava em trabalho de parto em uma unidade de saúde da região central do estado.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima procurou as autoridades depois de tomar conhecimento de outras denúncias semelhantes envolvendo o profissional. Em abril, outras mulheres já haviam denunciado supostos abusos ocorridos durante consultas ginecológicas.
Segundo a investigação, a mulher afirmou que o médico teria tocado suas partes íntimas durante vários minutos enquanto ela realizava um exame antes do parto. O relato aponta que a situação só terminou após a entrada de uma enfermeira na sala.
A Polícia Civil enquadrou o caso como estupro de vulnerável, entendendo que a paciente estava em uma condição em que não conseguiria oferecer resistência durante o atendimento médico.
As investigações também revelaram que outras vítimas relataram procedimentos considerados inadequados e sem respaldo médico. Em um dos casos, uma mulher afirmou que o profissional realizou “massagens íntimas” alegando se tratar de orientação clínica, situação considerada incompatível com protocolos médicos, segundo os investigadores.
A polícia informou ainda que os depoimentos apresentam características semelhantes e podem indicar um padrão de comportamento repetido ao longo dos anos. Algumas vítimas disseram que demoraram para denunciar por medo da influência política e social do médico na região.
Durante a apuração do primeiro caso, testemunhas, profissionais da saúde e familiares das vítimas foram ouvidos. Os investigadores também identificaram ausência de registros médicos considerados obrigatórios em determinados atendimentos realizados pelo suspeito.
O médico foi detido em Curitiba. Por conta da idade, existe a possibilidade de prisão domiciliar, decisão que dependerá da Justiça.
A defesa do investigado nega as acusações e afirma que irá provar a inocência dele durante o processo.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que instaurou procedimento para apurar o caso.